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SÁBADO, DOMINGO, SEGUNDA E TERÇA FEIRA

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    A  ILHA  III       Disseste que estou só e eu quero crer Que acreditas que sim… que absurda ideia! A minha solidão está sempre cheia De mundos que nem podes conceber…     A solidão só vem quando eu quiser E há coisas como grãos de fina areia Habitando este “mar” que me rodeia, Nas marés das palavras que eu escrever…     Podes guardar as penas pr`a depois Porque eu, ilha assumida e povoada, Não quero as tuas penas nem procuro     A solidão da vida feita a dois Tantas vezes pior que não ter nada... É só que eu nasço e morro, isso te juro!       Maria João Brito de Sousa     O FEITIÇO     Por motivos que nem conceberias, Enfeiticei-te a vida e não choraste… Poderia jurar que até gostaste E reparei, mais tarde, que sorrias…     Mas, depois da mudança, entenderias… Pensei-o, fi-lo e tu… nem te zangaste! Não sei se o laconismo a que chegaste Te impediu de mostrar o que sentias,     Ou se sentir, pr`a ti, era uma coisa Que surge como o pássaro que poisa E só muito mais tarde afunda as gar...

A DISSECAÇÃO

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~   Enquanto, por aqui, for poetando, Disseco isto que sou em mil pedaços E, assim, serei feliz pois, dissecando, Terei sempre ocupados os meus braços     Disseco um pouco mais - reinventando, Por redefinição, estes meus traços - E só muito mais tarde – eu sei lá quando! Partirei à conquista dos espaços…     Por agora, ocupada como estou, Sei lá se sei, sequer, dizer quem sou, Antes de dissecar mais um pouquinho.     Depois descobrirei por onde vou! Esta dissecação mal começou E, em cada descoberta… outro caminho!         Maria João Brito de Sousa   IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

SONETO TAPA-BURACOS [por ter-me esquecido da pen com o soneto de hoje...]

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  Dos lapsos de memória que vou tendo Há uns que fazem "mossa" e me colocam Muito mal, nos deveres a que me prendo, E que, a muitos de vós, também vos tocam!   Tudo isto pr`a dizer que me esqueci Da "pen" onde escrevi os meus poemas, Que nem sequer me lembro onde a meti, Nem sei como resolva estes problemas!   Estou cansada demais para ir a casa E por-me a procurar por toda a parte... Cá fica um sonetito "esburacado"   Pr`a que este desconforto que me arrasa Se possa diluir num pouco de "arte" E... perdoem-me a falta de cuidado...       Maria João Brito de Sousa, ao correr das teclas :(  

NEM SÓ DE MIM...

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  Porque nem só de mim te irei falar, Não só do que senti, do que pensei, Te apontarei os raios de luar Nas rimas dos poemas que farei,   Porque talvez – quem sabe? – eu vá rimar Sobre um milhão de coisas que nem sei E chegue, qualquer dia, a dissertar Sobre o que escrevo, além de quanto herdei…   Não leves muito “à letra” o que te diga! Há dias em que acordo e só me intriga A génese da Vida, nas razões   Que levam qualquer gato a nascer gato… (... nesses dias sem medo, nem recato, perco-me inteira em mil divagações…)     Maria João Brito de Sousa - 27.10.2010 - 15.18h

"VIDA LOCA!"

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  Não sei se é qualidade ou se é defeito, Mas quando a louca vida me conquista, - sem ter em conta os meus pontos de vista… - Para roubar-me todo o meu direito À escolha de outro mundo mais perfeito Em que esta minh`alminha um dia invista, Nunca ela me dá aso a que desista Porque é muito real, seu estranho efeito! Qual tronco de pau-santo, assenta praça E pouco importa o que eu lhe diga ou faça Pois “não tuge, nem muge” e não se abala! [já esquecida de mim, mas furiosa, observo-a cada vez mais curiosa, e acabo por render-me e imitá-la…]     Maria João Brito de Sousa

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA XX

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  UM LEITO NA FLORESTA   (Soneto em decassílabo heróico) Nesta quase-cidade adormecida Onde os prédios, de pálpebras cerradas, Choram gatos em cio, cumprindo a vida Junto às ocasionais águas-furtadas,   Mora um estranho silêncio que, à partida, Me embebeda de lua e madrugadas, Mas, depois, me interpela: - “Alma perdida, Porque sonhas Floresta, olhando estradas?   E porque te deténs sobre o cimento Quando um choupo te aguarda e já sedento, Te estende os velhos ramos descarnados?   Porque razão paraste e já não corres? Não saberás que assim que páras, morres, Sem ter`s justificado os passos dados?”   Maria João Brito de Sousa – 22.10.2010 – 19.03h     OS HOMENS QUE PESCAVAM AS MEMÓRIAS DE UM RIO   Os homens que no rio iam pescar, Antevendo as memórias, tinham frio; Varando corpo e alma, um arrepio Quase os impediria de avançar…     Mas nenhum deles pensava em recuar; Ansiavam pelos “peixes” desse rio E os rápidos, rolando ao desafio, Eram fracos demais pr`a derrubar     Essa vontade férr...

O RIGOR COM QUE JULGAS TEUS IGUAIS...

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Eu não te estendo a mão; estendo os poemas Que tu tentas fazer, mas não consegues E digo coisas mil que mal percebes Mas que englobam, também, os teus problemas. Julgas que sou pedinte e sou apenas Quem te vai dando mais do que o que pedes Pois também tu pediste – não o negues! Por horas menos árduas, mais serenas… Sabes lá que trabalhos e que esforços Fazem de mim quem sou, embora tu, Te atrevas a jurar que fazes mais… Mas sei que, lá no fundo, tens remorsos; Revolta-se-te a alma e fica a nu O rigor com que julgas teus iguais…     Maria João Brito de Sousa     NA FOTO - Eu, ao colo da avó Lylice, o avô poeta e a minha mãe, com a Paloma ao colo.