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APOGEU POÉTICO AVL -1º Lugar

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  APOGEU POÉTICO AVL Tema: GRATIDÃO Segmento: Clássico Patrono: Florbela Espanca Académica: Maria João Brito de Sousa Cadeira: 06 GRATIDÃO    (..."... não saiba a tua mão esquerda, o que faz a tua mão direita" - Mateus, 6, 3) Que maior recompensa pode haver Pr`a quem possa estender a mão que ajuda, Do que saber que uma aflição se muda Num momento de alívio e de prazer? Há quem só saiba dar pr`a receber Aplauso, ou recompensa bem choruda, Porque não sabe dar. Que não se iluda; Joga segundo as regras do poder! Que importa quem receba o recebido, Se mesmo estando grato, é bem sabido Que pressente o que anseia aquela mão Que se lhe estende enquanto jaz caído À qual, aliviado, mas dorido, Expressa, contudo, a sua gratidão? Maria João Brito de Sousa - 29.12.2016 - 17.45h        

GLOSANDO ANTÓNIO CODEÇO II

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FOLHAS OUTONAIS     Julguei pintar imagens outonais De folhas moribundas pelo chão Soando nos meus pés tão musicais De acordes dados pela solidão   Sombrios rostos tornam-se banais Passam por mim, tremenda confusão Na falsa ilusão serem imortais Esquecemos que há no corpo um coração   Caem folhas dos ramos do meu peito As folhas outonais já ressequidas De tanto sol que enfrentam diariamente   Conseguirei dobrar este conceito Ser rei dum reino de árvores despidas Ser cego e mesmo assim ver toda a gente?   António Codeço     AUTO-RETRATO   "Julguei pintar imagens outonais", Mas foi o meu retrato que pintei Em pinceladas quase acidentais Sobre o branco da tela em que as lancei.   "Sombrios rostos tornam-se banais" E na banalidade me espelhei, Confundindo esses traços vegetais Com este, muito humano, em que os pensei.   "Caem folhas dos ramos do meu peito" Quando o vento outonal sopra a favor Desta minha cegueira indesmentida...   "Conseguirei dobrar este...

GLOSANDO FRANCISCO RODRIGUES LOBO

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  FERMOSO TEJO MEU...     Fermoso Tejo meu, quão diferente te vejo e vi, me vês agora e viste: turvo te vejo a ti, tu a mim triste, claro te vi eu já, tu a mim contente.   A ti foi-te trocando a grossa enchente a quem teu largo campo não resiste; a mim trocou-me a vista, em que consiste o meu viver contente ou descontente.   Já que somos no mal participantes, sejamo-lo no bem. Ó quem me dera que fôramos em tudo semelhantes!   Mas lá virá a fresca primavera: tu tornarás a ser quem eras d'antes, eu não sei se serei quem d'antes era.     Francisco Rodrigues Lobo - 1580/1622     (Apud Carolina Michaëlis de Vasconcellos, "As Cem Melhores Poesias Líricas da Língua Portuguesa"— Londres, 1910). Nota - Soneto e dados bibliográficos retirados do blogue "O Secular Soneto"         ROUBANDO UM BEIJO AO TEJO   "Fermoso Tejo meu, quão diferente" me pareces do rio que outrora amei; vejo-te tão distante que nem sei se deste estranho amor ficaste ausente...   "...

CONVERSANDO COM MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XIII

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    PALCO DA VIDA É imensa esta estrada este caminho É um palco real com bastidores Onde actores fizeram o seu ninho Nas brancas asas de ágeis beija-flores   Encenam seus papéis em desalinho Que a fadiga provoca-lhes as dores Que albergam em seu peito num cantinho Mitigadas um pouco plos amores   Sem saberem da peça qual o fim Lutam pelo seu próprio camarim E fazem desta luta seu sustento   Quando se acaba a peça desce o pano Acaba-se o teatro do engano Sobra apenas cansaço e desalento     MEA 24/01/2017 IMPROVISO(S) Sabendo que é perfeita, a analogia, Em nada a contradigo e se a acrescento É porque prometi que assim faria, Se me sobrasse um nada de talento; Escrevo umas linhas, nesta tarde fria, Para o papel da vida em que me invento E abuso duma mão que mal me guia Na criação de enredo e de argumento... Neste palco da vida, é sempre assim, Mesmo na solidão do camarim, Actuo e vou da lágrima aos sorrisos, Mas quando cai o pano é mesmo o fim, Não da Peça da Vida, mas de mim, Das minhas...

GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XXXIX

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  REPENSANDO O VAZIO Entrei no meu vazio escurecido Por túneis que cavei e construí E onde guardei oculto meu bramido Que em abrigos de plumas eu escondi   Dei-lhe voz, dei-lhe asas, num rugido E ao esvoaçar de mim sei que cresci E sonhei-me num porto já esquecido Moldando do mar ondas que vesti   Entrancei nos cabelos o luar Que descendo tirou o sono ao mar E neles me encontrei em novo eu   Raiei de rouxinol e voei calma Dei ao vazio tons que trago na alma Dos túneis e ruínas fiz meu céu   MEA 25/012017   NEGANDO O VAZIO ABSOLUTO "Entrei no meu vazio escurecido" E logo o preenchi da claridade Do verbo, nesse instante pressentido, E da sua sonora intensidade... "Dei-lhe voz, dei-lhe asas, num rugido" Fiz ecoar, nas ruas da cidade, A canção, muito acima do ruído E o sonho, muito acima da ansiedade... "Entrancei nos cabelos o luar", Com mil cuidados, fi-lo então brilhar Como um pequeno sol, quanto bastasse; "Raiei de rouxinol e voei calma" Porque o...

AO PÃO QUE O DEMO AMASSOU

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  Eu, que não roubei pão, nem o vendi, Da mesma forma tenho de o comer, Mas fá-lo-ei tão só pr`a não morrer, Que a morte (in)certa nunca eu me rendi   E sempre afirmarei que, se o comi, Foi só para o poder contradizer; Ao pão que o demo amassa pr`a vender E à rija côdea com que o cubro aqui.   Não lha vendo, nem compro, e se lha como, É na clara intenção de ver se o domo Usando a minha imensa teimosia,   Mas porque todo o pão contém fermento, Da mesma levedura eu me alimento E dela me acrescento a cada dia...       Maria João Brito de Sousa 25.01.2017 - 15.27h     Nota - Soneto escrito na sequência da leitura do poema "Esse Mesmo Pão" de Vergílio de Sena.    

CONVERSANDO COM MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XI

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  JORNAIS....     Folhas! Um maço delas, cor da neve! Pouco a pouco elas vão ficando escuras Com as letras pintadas duma greve, Das guerras ou até legislaturas     Em letras garrafais ali se escreve Para que se façam rápidas leituras. Em pormenor também lá se descreve Impressas as imagens de amarguras     Nessas folhas há tanta informação Palavras escritas cheias de emoção De análise, censura, sentimento     Serão por vezes falsas, outras reais Há, porém, nas palavras dos jornais Um excessivo poder, algo sedento     MEA 23/01/2017 O QUARTO PODER Não fora a mão que o doma a dos burgueses E os ricos quem lhe paga os ordenados, Seria, o Poder Quarto, as mais das vezes, A voz dos povos livres, revoltados, Mas pelas leis do lucro, quer "fregueses" E explode em escandaleiras, dando brados, Contradizendo, alguns dos que mais prezes, Outros, bem menos lidos e comprados. Quer saibamos, quer não, tem o poder De moldar-nos conforme convier Às ambições do grande capital E, pr`a fazer de ...