CASA II
CASA II * Meu dito, meu feito. Meu tudo, meu nada. No mar, a jangada. Na casa, o meu leito Desfeito e refeito por mão deformada, Dorida e cansada, sem força, nem jeito * Pra tê-lo perfeito... lençol, almofada De fronha rendada, bordada a preceito... Portanto me deito em cama amarrotada Que a noite sonhada não ponho defeito. * Meu sim e meu não de amarga (in)certeza; Talvez cama e mesa, talvez tecto e pão, Depois da paixão, da força e destreza... * Rainha ou princesa? Operária, que o são As muitas que em vão viverão na pobreza; Nem canto, nem reza. Não pedem, só dão! * Maria João Brito de Sousa -03.08.2018 – 09.50h