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NÃO TE DAREI OUVIDOS, ZARATUSTRA!

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NÃO TE DAREI OUVIDOS, ZARATUSTRA! *   Não, não irei contigo de mãos dadas Espelhar-me no titã que mais convenha! Não me ilude o teu estro. A minha sanha Soma-se a muitas lutas defraudadas, *   Cruza oceanos, calcorreia estradas, Ama esse humano que em ti se despenha E eu, sendo estranha, não serei tão estranha Que aspire a brilhar mais que as alvoradas... *   Não te darei ouvidos, Zaratustra: A razão que me guia não me frustra, Não é tão rebuscada, nem tão crua * E estou quase no fim. Que não estivesse!, Ainda assim diria o que entendesse Dizer de quanto do teu génio estua. *   Mª João Brito de Sousa 05.08.2022 - 09.45h ***

MATÉRIA-PRIMA - Reedição

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MATÉRIA-PRIMA *   Não são de prata fina, ouro-de-lei, De jade, madre-pérola ou diamante, Mas da lava insurrecta, inquietante, Do verbo em que te deste, em que me dei, *   Os versos, tantos quantos semeei No torrão duma urgência, a cada instante Da premência tão mais desconcertante, Quão mais distante o tempo em que os plantei *   Não colho o verbo frágil, rendilhado, Trágico, maneirista ou delicado: Quero o verbo que assuma o travo puro *   Do fruto firme e doce ao ser trincado, Da terra ao ser rasgada por arado Ou do trigo dourado e já maduro. *     Maria João Brito de Sousa 21.04.3017 -16.35h ***   (Reformulado)

VESTIDO DE MENINA - Reedição

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  VESTIDO DE MENINA * Da seda, da fazenda ou do tobralco Do poema nascido de outro alguém, Surge-me uma lembrança, aqui e além De panos recoberta, como um palco *   Envolve-me um cheirinho a pó-de-talco, À cânfora, que usava minha mãe, E à arca de pau-preto que ninguém Sabe que guarda os sonhos que recalco... *   Gravam-se-me, indeléveis, na memória Palavras de cetim ou de algodão De uma textura suave e feminina * Que projectam de forma aleatória, Num toque de varinha-de-condão, A imagem de um vestido de menina... *   Maria João Brito de Sousa 05.05.2008 - 12.58h *** Reformulado  

GRAÇA

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aqui, por favor.

A MÃO QUE ALIMENTA A GUERRA

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Por aqui , mas não a alimente, por favor...

"IRÁS COMIGO ONDE EU FOR"

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Tela de minha autoria * IRÁS COMIGO ONDE EU FOR * "Irás comigo onde eu for", Disse-me um dia a Vontade E eu, sentindo-lhe o ardor, Julguei que essa era a Verdade * E intimei a Liberdade: "Irás comigo onde eu for"!, Mas depressa a Realidade A isso se veio opor * Apresentando-me a Dor Que fustiga a Humanidade: "Irás comigo onde eu for" Exp`rimentar Necessidade, * Conhecer a Crueldade, Provar-lhe o acre sabor... Eu sou a Arbitrariedade: "Irás comigo onde eu for"! * Mª João Brito de Sousa 30.07.2022 - 12.00h *** Poemeto criado a partir de um verso/mote de Joaquim Sustelo para uma rubrica do Horizontes da Poesia.

MARIA-SEM-CAMISA- Reedição

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Maria-Sem-Camisa *     Maria-Sem-Camisa, a sem dinheiro Que passa pela vida ao Deus-dará, Tem fama de ser estranha e de ser má Mas é, tão só,  poeta a tempo inteiro *   Maria vai plantando em seu canteiro Sementes de si mesma ... o que não há Engendra-o Maria, e tanto dá Ter pouco se tão rica foi primeiro *    Maria-Sem-Camisa planta ideias  E disso vai colhendo o seu sustento  Sem cuidar da chegada ou da partida *    Porque os frutos colhidos são candeias,  São estrelas a luzir no firmamento  Da órbita em que traça a sua vida. *        Maria João Brito de Sousa 14.01.2008 - 21.15h *** NOTA - Este foi o primeiro soneto que editei neste Blog