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SE O CHICOTE DO RAIO ME ILUMINA

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Imagem gerada pelo ChatCPT * SE O CHICOTE DO RAIO ME ILUMINA * Se hoje escrevo com alma de trovão E o chicote do raio me ilumina, São as minhas memórias de menina Que, debruçadas no meu coração, * Me acendem, das razões que há na razão, A improvável vela que, à bolina, Singra agora, indomável peregrina Dos ventos fortes, rumo ao furacão * Lembras-te, avô poeta, desses dias Das grandes chuvas e das ventanias Que saudávamos sempre fascinados? * Das vergastas de luz que ribombavam, Colorindo as rajadas que sopravam Nos nossos rostos mudos, assombrados? * © Maria João Brito de Sousa Julho, 2020 (no dia a seguir à grande trovoada de Verão)

IMPACTO AMBIENTAL

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Imagem processada pelo ChatGPT * IMPACTO AMBIENTAL * Às pragas e palavrões, Troquei-os por mil perdões Num dia de tempestade: Sopravam brutais monções E nenhuma alma se evade À Santíssima Trindade Quando enfrenta vagalhões... * Pedi, portanto, perdão Por, não tendo para o pão, Ter-me feito ao meu caminho... Não ouvi nem sim, nem não, Que o mar em redemoinho Cuspiu torreões de linho Sobre a minha embarcação * Perdão!, supliquei ao mar... Tanto dava suplicar Quanto dava estar calado: Ninguém me veio ajudar E o mar redobrava o brado Tumultuoso e zangado, Sem tempo pra perdoar * Os perdões então pedidos, Não me foram concedidos, Que isso tenho por bem certo! Dizem sábios e sabidos Que estando o céu encoberto, Entra o mar em desconcerto E nem a Deus dá ouvidos * Nada podendo fazer Sem ninguém pra me valer, Morri nesse exacto dia À hora do recolher, E aos toques da Avé Maria ... Só o mar me absolveria Pragas, pecados e ser * Afundei como os demais, Mas se...

PARÁBOLA DA FIANDEIRA E SEUS BRANCOS NOVELOS

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Imagem processada pelo ChatGPT * PARÁBOLA DA FIANDEIRA E DOS SEUS BRANCOS NOVELOS * Dobava brancos novelos Da lã mais quente e macia Que naquela aldeia havia (ninguém podia era vê-los...) Dobravam-se-lhe os cabelos Em tamanho, e - que ousadia! - Quanto mais envelhecia Mais el`s se tornavam belos... Foi dobando até esquecer-se E esqueceu-se até perder-se Nos seus novelos de lã Quando uma certa manhã, Já cansada de assim ver-se, Cortou os cabelos cerce... Alguém grita: - Ensandeceu! Se não podia mantê-los Devia optar por prendê-los Num "puxinho", como o meu... Diz uma outra: - Que sei eu? Curtos, ficam tão singelos E pra quê tantos anelos Quando assim se envelheceu? Cortou cerce a cabeleira, Mas, por sorte, aconteceu Que ela em dois dias cresceu E ficou de novo inteira... Volta a velha fiandeira Ao ofício que era o seu: Outro novelo nasceu  E outro e outro... uma carreira De enoveladas madeixas Que em vez de trazerem queixas Lhe traziam alegri...

NINGUÉM PASSA NA ALAMEDA

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                                                                                Fotografia de minha autoria                                                       palmeiras destruídas por uma praga de Rhynchophorus ferrugineus * NINGUÉM PASSA NA ALAMEDA * Silenciada esquina, eterno vento, Ninguém cruza a alameda, ninguém passa, Apenas uma pomba que esvoaça Lhe imprime alguma vida e movimento. * Um homem sobe agora, sonolento, Os degraus com que a escada me ameaça: Caio na escadaria da desgraça E, devendo-me erguer, nem mesmo o tento! * Sopra o vento. Mais zune e mais fustiga As casas desta esquina de que é dono... Por detrás da vidraça que me abriga * O bocej...

FERA E DONO

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Imagem processada pelo ChatGPT * FERA E DONO * Tu estavas de joelhos frente à fera, Ao titã que rugia e que rosnava... Na tua face impávida, severa, Nem sombra de temor se adivinhava * A fera ali espreitando, à tua espera, E cada gesto teu a ignorava, Como se protegido pela esfera Do aço que a vontade em ti forjava * - A fera é o Soneto!, afiançaste. Não sei bem se o domaste, ou não domaste, Porque a noite caiu, fiquei com sono * E fui dormir. Ainda vislumbrei Em sonho os vossos vultos mas não sei Qual de vós dois passou de fera a dono. *   Maria João Brito de Sousa 16.07.2018 -13.06h *** Nota - Este soneto, embora tecido em verso decassilábico, é dedicado ao célebre soneto Alexandrino, o mais difícil e complexo de todos os tipos de soneto

ALICE

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Avó Alice e eu fotografadas por meu pai *   ALICE * Amei-te tanto, tanto, minha avó! Louvavas-me os “murais” da grande sala Quando com suave e modulada fala Me garantias: - “Nunca estarás só, * Transbordas vida até chegar ao nó De quanto em ti se exalta e vibra e estala.” A doce voz, porém, depressa cala, Que quem assim me fala há muito é pó * Eras, Alice, a minha avó paterna, Mais maternal que muitas ternas mães, E assim que percebi não ser`s eterna * A tua voz, a voz que ainda tens, Doeu-me tanto, que hoje alço a lanterna E sondo céus e Terra, a ver se vens. *   Maria João Brito de Sousa 26.07.2018 – 17.59h ***

CONCEBO CARTAZES

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Imagem processada pelo ChatGPT * CONCEBO CARTAZES * Conserta castelos, corais conspurcados, Chaves, cadeados, cristais e capelos. Compra caramelos contrabandeados, Comanda cruzados, conduz os camelos * Com claros cabelos castanhos, cortados, Crescem-lhe os cuidados. Quem sabe contê-los? Ciúmes ou “celos”? Castelhanizados, Cuidam uns coitados de compreendê-los... * Colava cartazes com cola cuspida. Comprava comida. Compunha cabazes. Contratos capazes? Confiante? Cumprida? * Cresceste e, crescida, certeira comprazes Carismas com crases de (in)compreendida... Contas, consumida :- Concebo cartazes. *   Maria João Brito de Sousa 21.07.2018 – 15.21h *** Soneto hendecassilábico com rima entrançada Reformulado