Fotografia de Carlos Ricardo * NAS TUAS MÃOS * Nas tuas mãos eu, ave, te confesso Que esvoaço, sucumbo e, já rendida, Procuro nessas mãos uma guarida Em que a chama que sou não tenha preço * Eu, ave, só te entrego o que não peço: Submeto-me à carícia prometida Nas asas da loucura em mim escondida Que tu não sonharás e eu nem meço * E que outra ave marinha ofertaria Tanta e tão profundíssima alegria, Que outra alma se daria em seda pura? * As tuas mãos… quem mais se atreveria A desvendar-lhes sede e fantasia Para enchê-las de amor e de ternura? * Maria João Brito de Sousa Maio 2007 ***
MULHER * Passeia-se apenas, sem fitas, sem folhos Trazendo nos olhos sorrisos e penas... Como esta há centenas, encontram-se aos molhos Por entre os restolhos, louras e morenas. * Marias e helenas que contornam escolhos, Com ou sem piolhos, virtuosas, obscenas, São como açucenas; a chave e ferrolhos Franzem os sobrolhos. Grandes ou pequenas * Derrubam empenas, são donas das ruas, Das marés, das luas... Em todos os astros Ergueram os mastros das coisas mais suas * E sempre assim, nuas, deixaram seus rastos Nos muros dos castros, no chão das faluas E até no que intuas dos seus corpos gastos. * Maria João Brito de Sousa - 03.02.2021 - 14.04h *** Gravura de Manuel Ribeiro de Pavia in LIVRO DE BORDO, de António de Sousa.
Que me invada, sustente e suporte Esta tão castigada impaciência Que, surgindo, me abrace e conforte Qualquer forma de alada aparência! Mas… pensando melhor, que desnorte Me invadiu e me impôs tanta urgência Quando a mão mais pesada da sorte Se abateu sobre a minha imprudência? Quanto mais pesa o corpo, mais pede, Mais e mais a razão se nos mede Pelas pautas de um sonho improvável Numas asas que a mente concede E que, às vezes, nos brotam da sede De um conceito ou de um gene insondável. Maria João Brito de Sousa -30.11.2012 – 19.56h IMAGEM - O último Anjo de Maria - Maria João Brito de Sousa, 1999
Chá reinventado.
ResponderEliminarMorfeu tem estado particularmente cioso de mim, hoje, mas ainda vou ver esse Chá Reinventado, Poeta.
EliminarServem os amigos
ResponderEliminarpara demonstrações de amizade
assim
como eu agora mesmo vi
Obrigada pelas tuas palavras, Rogério.
EliminarEsta amiga, Lourdes Mourinho, já me formatou, em vídeo, vários sonetos, tem sido incansável.
Forte abraço.
Fico contente por saber que gostou, Fashion!
Eliminar“Asfaltados”
ResponderEliminarSó a opulência grassa
Neste mundo em ruínas
Miséria não o trespassa,
Quanto distam as esquinas?
A esquina da moralidade
Ruiu sem darmos por nada…
Sobre estilhaços de bondade
Crueldade fez-se estrada
Assim cruzamos o mundo
Com o espírito esventrado
E um coração de asfalto
Onde o amor jaz moribundo
O humano é posto de lado
E o que luz fala mais alto.
Prof Eta
Grassa sem graça nenhuma,
EliminarA predatória opulência,
Transformando em treva e bruma
Toda e qualquer transparência;
Julga-se a potência suma
E ressuma de impotência
Quando, ao ser desfeita em espuma,
Tenta ir mantendo a aparência...
Também tem um coração,
Mas... perdida a direcção,
Tudo esmaga quando passa
E exerce uma tal pressão
Que a cada palmo de chão
Enche de pura desgraça...
Maria João
Aqui vai, Poeta, com o abraço grande de todos os dias.