Fica a sonoridade ao abandono Quando os passos se cansam de passar E chega a minha Musa ao seu Outono Antes ainda de o Verão chegar * Se a Musa, por acaso, diz ter sono E se afasta de mim pra se ir deitar... Fico zangada mas, em seu abono, Sei bem que está cansada de cantar * Há passos que ao morrer pelos caminhos Abrem em flor e nunca estão sozinhos Por muito que sozinhos digam estar * E há outros que se perdem sem um som... Tudo isto é natural, tudo isto é bom: Triste é que alguns não possam caminhar. * Mª João
Todas as estações do ano têm a sua beleza. O Outono não é exceção. . Cumprimentos poéticos . Pensamentos e Devaneios Poéticos (http://pensamentosedevaneiosdoaguialivre.blogspot.pt/) .
Fotografia de Carlos Ricardo * NAS TUAS MÃOS * Nas tuas mãos eu, ave, te confesso Que esvoaço, sucumbo e, já rendida, Procuro nessas mãos uma guarida Em que a chama que sou não tenha preço * Eu, ave, só te entrego o que não peço: Submeto-me à carícia prometida Nas asas da loucura em mim escondida Que tu não sonharás e eu nem meço * E que outra ave marinha ofertaria Tanta e tão profundíssima alegria, Que outra alma se daria em seda pura? * As tuas mãos… quem mais se atreveria A desvendar-lhes sede e fantasia Para enchê-las de amor e de ternura? * Maria João Brito de Sousa Maio 2007 ***
MULHER * Passeia-se apenas, sem fitas, sem folhos Trazendo nos olhos sorrisos e penas... Como esta há centenas, encontram-se aos molhos Por entre os restolhos, louras e morenas. * Marias e helenas que contornam escolhos, Com ou sem piolhos, virtuosas, obscenas, São como açucenas; a chave e ferrolhos Franzem os sobrolhos. Grandes ou pequenas * Derrubam empenas, são donas das ruas, Das marés, das luas... Em todos os astros Ergueram os mastros das coisas mais suas * E sempre assim, nuas, deixaram seus rastos Nos muros dos castros, no chão das faluas E até no que intuas dos seus corpos gastos. * Maria João Brito de Sousa - 03.02.2021 - 14.04h *** Gravura de Manuel Ribeiro de Pavia in LIVRO DE BORDO, de António de Sousa.
Que me invada, sustente e suporte Esta tão castigada impaciência Que, surgindo, me abrace e conforte Qualquer forma de alada aparência! Mas… pensando melhor, que desnorte Me invadiu e me impôs tanta urgência Quando a mão mais pesada da sorte Se abateu sobre a minha imprudência? Quanto mais pesa o corpo, mais pede, Mais e mais a razão se nos mede Pelas pautas de um sonho improvável Numas asas que a mente concede E que, às vezes, nos brotam da sede De um conceito ou de um gene insondável. Maria João Brito de Sousa -30.11.2012 – 19.56h IMAGEM - O último Anjo de Maria - Maria João Brito de Sousa, 1999
Tempo de folhas caídas
ResponderEliminarestaladiças
de um último passo saídas
Bela tarde com alegria Mj, beijinhos
Só há pouco cheguei da consulta, ...
EliminarO medinho estava a passar, mas voltou todinho na consulta de hoje
Beijinhos
Tempo de nostalgia e contemplação da mudança na Natureza.
ResponderEliminarAltura em que a natureza está muito bonita.
A natureza está linda, sim, Mónica.
EliminarMas este poema e esta pintura não saíram das minhas mãos... Acabam de chegar às minhas mãos
Abraço!
🍁🍂👍
ResponderEliminarPeço desculpa pela má qualidade das fotografias, L.
EliminarTentei remediar essa falha fazendo a transcrição do poema, mas não consegui melhorar a imagem...
OBRIGADA!
Folhas já secas do Outono / Passos sonoros de abandono...
ResponderEliminarFica a sonoridade ao abandono
EliminarQuando os passos se cansam de passar
E chega a minha Musa ao seu Outono
Antes ainda de o Verão chegar
*
Se a Musa, por acaso, diz ter sono
E se afasta de mim pra se ir deitar...
Fico zangada mas, em seu abono,
Sei bem que está cansada de cantar
*
Há passos que ao morrer pelos caminhos
Abrem em flor e nunca estão sozinhos
Por muito que sozinhos digam estar
*
E há outros que se perdem sem um som...
Tudo isto é natural, tudo isto é bom:
Triste é que alguns não possam caminhar.
*
Mª João
Abraço, Francisco!
Todas as estações do ano têm a sua beleza. O Outono não é exceção.
ResponderEliminar.
Cumprimentos poéticos
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Embora o Outono e o Inverno sejam períodos de grande risco para a minha fraca saúde, reconheço-lhes a extrema beleza, Ryk@rdo.
EliminarUm abraço!
Foi tão bom receber...
ResponderEliminarAbraço
Foi, pois! :)
EliminarForte abraço, Rogério!