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VAMOS ALÉM?

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VAMOS ALÉM? * Vamos além? , Aonde?, inquire alguém, E eu que nunca sei onde começa, Nem acaba um além, respondo à pressa: - Onde a vida nos leva, ou nos detém... * Sei que especulo e não me fica bem Fazer de um pressuposto uma promessa, Mas prevarico, embora reconheça Que um passo implica sempre ir mais além... * Parto sozinho, sem pagar o preço De sugerir atalhos inventados Em estradas que de todo desconheço, * Tentando a sorte no lançar dos dados, Aproveitando, enquanto não tropeço Nos dados que por outrem estão lançados. * Maria João Brito de Sousa – 07.01.2019 – 15.52h

(I)LIMITES & PARADOXOS

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(I)LIMITES & PARADOXOS * Entre vivos e mortos levantamos Montanhas de aço vivo e de vontade Contra as quais esbarrarão os grandes amos Dos medos, quais torpedos de ansiedade, * Mas se no espanto imenso em que nos damos Abstrusa, a novilíngua nos invade, À nossa antiga concha retornamos, Pela libertação da liberdade. * E mudamos. Ó céus!, como mudamos Quer queiramos mudar, quer não queiramos, Sem dúvida em excessiva velocidade, * Ultrapassando mesmo a ubiquidade... Porém, na rapidez com que avançamos, Quem mede o estado ao estado a que chegamos? * Maria João Brito de Sousa – 06.01.2019 – 13.44h Tela de Jean Michel Basquiat, retirada  daqui

AS PEQUENINAS ASAS

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AS PEQUENINAS ASAS * Contemplando as lonjuras circunspectas Dos altíssimos vôos dos mais doutos Embora, de asas, tenha uns meros côtos, Admiro algumas asas mais concretas, * Mais amplas, ergonómicas, directas, Mais densas e frondosas como soutos, Face às minhas, pequenas como brotos De sementes adiadas, incompletas. * Se cedo as minhas asas desprezei, Tarde demais a elas retornei E é fraco, este meu vôo, embora as penas * Bem mais cresçam agora que já sei Poder guardar as penas que penei Em asas tão modestas quão pequenas. * Maria João Brito de Sousa – 05.01.2019 – 12.35h     Imagem retirada  daqui

TALVEZ UM FADO

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A CAÇADA DO PARDELHO

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A CAÇADA DO PARDELHO * Castanho, vermelho e branco bem vivo, Sobre um ramo altivo, quer jovem, quer velho, Eu vos aconselho, por não ser nocivo E ser instrutivo sem dar destrambelho, * A ver o pardelho livre e não cativo, Alerta e furtivo do bico ao joelho; Não se olha no espelho nem fica, lascivo E contemplativo, sem meter bedelho * Naquilo que mira. Muito concentrado, Bocado a bocado, observa o que gira, Estremece ou respira, se for cobiçado * Bichoco anelado que cace e que ingira... Porém do que o fira e o deixe magoado, O desconfiado, logo se retira. * Maria João Brito de Sousa – 03.01.2019 – 15.29h  

VELHAS LUTAS, TEMPOS NOVOS...

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AS SAGAS QUE HOJE FICAM POR CONTAR...

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AS SAGAS QUE HOJE FICAM POR CONTAR * Nem um vagido ouvi, mas é bem certo Que o pequeno ano novo já nasceu Do ano velho que então faleceu Na agenda deste nosso desconcerto. * Não teve berço, já nasceu liberto E a nossa fantasia o concebeu Na fluidez de um tempo-gineceu Que, por segundos, nos passou tão perto... *     E nesta alegoria os dias crescem Um pouco a cada dia que passar, Pisando as noites os degraus que descem, * Embora ainda muito devagar; Mais luz, mais luz! Cascatas que florescem De sagas que hoje ficam por contar. * Maria João Brito de Sousa – 01.01.2019 – 19.40h     Imagem retirada  daqui