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PERGUNTO AOS PARDAIS...

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PERGUNTO AOS PARDAIS... *   "Se nem sequer tenho a sua liberdade", Roubam-me a vontade que tão só mantenho Quando este desenho das mãos se me evade Tal como a saudade dos tempos de antanho... * Que normal tão estranho! Será de verdade? Que impalpável grade sem cor nem tamanho Cobre este rebanho, esta humanidade Morta de ansiedade que agora acompanho * Como se fosse anho? A vós que voais, Por não poder mais, perguntarei agora E não vou embora sem que respondais; * Vós, simples pardais, voareis por quem chora Os dias de outrora que vós nem lembrais? - Queres saber demais!, esclarece-me a demora. *   Maria João Brito de Sousa - 12.02.21 - 20.00h * Soneto criado a partir do último verso do soneto PÁSSAROS da autoria de Joaquim Sustelo.

CHAMO-LHE PAIXÃO...

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CHAMO-LHE PAIXÃO... * Chamas-lhe vício? Chamo-lhe, eu, paixão, Pois voa à velocidade a que a conduza E segue sempre a sua direcção Sem que haja humana força que a reduza. * É, por vezes, qual lava de vulcão, Piroclástica nuvem que recusa Que lhe induzam qualquer formatação Excepto a que venha pela mão da Musa. * Explode nas quadras, vibra nos tercetos Livre para livrar-se de amuletos, Que a sorte é sempre a sorte que alcançar * Ao confessar, nos sonhos mais secretos, Que acredita que os netos dos seus netos Um dia a possam vir ouvir cantar. * Maria João Brito de Sousa - 12.02.2021 - 13.34h * Soneto inspirado no soneto INTENÇÃO da autoria de Laurinda Rodrigues.

PRAGMATISMO(S) - Coroa de Sonetos - Maria João Brito de Sousa e Laurinda Rodrigues

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    PRAGMATISMO(S) *** COROA DE SONETOS * Maria João Brito de Sousa e Laurinda Rodrigues *** 1. * Às vezes julgo ser tão só produto Duma vontade que transcende a minha, Mas se vejo crescer, linha após linha, A força deste sonho por que luto * Sei ser o sonho o último reduto De um corpo que envelhece, que definha E que faz frente ao fim que se avizinha Fingindo-se invencível, forte e bruto. * Não me iludo contudo. Isto é fugaz, Tudo o que nasce, morre tarde ou cedo, Deixando, para alguns, um; "Aqui Jaz ... * ...alguém que foi ouvido ou que, em segredo, Passou sem ser notado e dorme em paz, Que a morte também cala a voz do medo." * *** Maria João Brito de Sousa - 09.02.2021- 13.24h *** 2. * "Que a morte também cala a voz do medo" mas de uma forma digna e muito sã pois ela é testemunho do segredo que fez comer Adão uma maçã. * Ele não escolheu a eternidade vã que nos envolveria no enredo de ter sempre na mão um amanhã que nunca acabaria muito cedo. * Choramos ao nascer...

VERDE ESCURO

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VERDE ESCURO * Nesse verde escuro, toda me confundo; De verde me inundo, vicejo e perduro... Estou verde mas juro ser doce e fecundo, Pulmão deste mundo, fruto já maduro. * De verde suturo cada abismo fundo E a escarpa onde abundo é ponte, não muro; Verde me procuro e me acho segundo Razões que secundo, forças que conjuro * Para que o futuro verde se mantenha... Pareço ser estranha e talvez o seja Para quem não veja que o verde se entranha * No mar, na montanha e em tudo o que beija, Que em tudo viceja e com pouco se amanha; Só disso desdenha quem o não proteja. *   Maria João Brito de Sousa - 10.02.2021 - 15.59h *** Escrito, sem qualquer compromisso, para o desafio "Vamos Pintar com Palavras?" do blog PORQUE EU POSSO. https://porqueeuposso.blogs.sapo.pt/desafio-vamos-pintar-com-palavras-434723

CAMINHO

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CAMINHO... * "Pra que seja o caminho e não o fim" Desta odisseia num fio de navalha, Embora f`rida não perco a batalha E não me rendo nem sequer a mim. * Sou muito mais floresta que jardim; Tosca, conforme a natureza talha, Tenho musgo a crescer por onde calha E não vos sei dizer de onde é que vim. * Estendo raízes por onde puder, Deixo que os versos dancem ao sabor Das tempestades, sem me recolher. * Tanto vivi que já me sei de cor; Quanto mais duro o rumo a percorrer, Mais forte eu chegarei seja onde for. *   Maria João Brito de Sousa - 09.02.2021 - 19.42h * Soneto concebido a partir do último verso do poema CAMINHO da autoria de Laurinda Rodrigues. * Imagem retirada  daqui

PRAGMATISMO(S)

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PRAGMATISMO(S) *   Às vezes julgo ser tão só produto Duma vontade que transcende a minha, Mas se vejo crescer, linha após linha, A força deste sonho por que luto * Sei ser o sonho o último reduto De um corpo que envelhece, que definha E que faz frente ao fim que se avizinha Fingindo-se invencível, forte e bruto. * Não me iludo contudo. Isto é fugaz, Tudo o que nasce, morre tarde ou cedo, Deixando, para alguns, um; "Aqui Jaz ... * ...alguém que foi ouvido ou que, em segredo, Passou sem ser notado e dorme em paz, Que a morte também cala a voz do medo." * ***   Maria João Brito de Sousa - 09.02.2021- 13.24h        

OUTROS TEMPOS

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OUTROS TEMPOS * No tempo em que a alegria era bebida Nos copos de cartão das horas vagas E os sorrisos (visíveis) eram bagas De planta sempre pronta a ser colhida, * O sonho comandava, então, a vida Voando sobre abismos, sobre fragas, Vencendo outras barreiras, que não pragas, Alheio a esta insânia desmedida * Que o presente lhe trouxe, envenenando Aquilo que o teu sonho ia sonhando Prá nossa condição de humanos seres * Porque enquanto esta praga for grassando Nem em sonhos consegues saber quando Termina um pesadelo que não geres. *   Maria João Brito de Sousa - 08.02.2021 - 11.18h *   Imagem - Tela de Frida Kahlo