PÁSSAROS DE PANO
PÁSSAROS DE PANO * Trago no peito um pássaro de pano Que anseia por voar mesmo sem asas E vê gaiolas onde se erguem casas A estiolar de pasmo e desengano. * Nos olhos, outro pássaro que, insano, Vai esvoaçando sobre acesas brasas Que são as sobras destas marés vazas Que entraram na vazante há mais de um ano. * Dois pássaros são, pois, dos que não voam Se não por dentro da sua loucura E enquanto sonham, dos mais não destoam * Já que o pano que envergam tem textura, Bom corte e até botões dos que abotoam... Se teimam em voar, quem mos segura? * Maria João Brito de Sousa - 15.03.2021 - 15.00h *