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DIALOGANDO COM MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE III

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  CARÍCIA QUE ACALENTA   É tão cedo que o sol ainda dorme Numa cama só feita de luar Macia e tão branca, catre enorme Sobre as nuvens cinzentas lá no ar   Espreguiça-se então lento e ramiforme E num sorriso breve faz-me olhar Pró horizonte belo e cordiforme Anunciando então seu acordar   Aos poucos se reforça de calor Beijando cada rosto com ardor Em suave carícia que acalenta   Quando cansado volta a adormecer Qual criança num sono de prazer Porém sem ele há frio que atormenta   MEA 9/12/2016     PRELÚDIO(S)     Não há maior carícia do que o beijo De um verso inesperado a despontar Deste limbo sem nome em que o protejo, Tranformando em soneto o meu pensar,   Fluindo, acrescentando-se ao "meu" Tejo, Fazendo-me correr sem vacilar Ao encontro do verbo e do solfejo Que alguma Musa errante ousou soltar...   Pr`alguns, não faz sentido, eu bem o sei, Mas como o calarei, se o exp`rimentei Como a mais tentadora das carícias   Desta já longa vida? E negarei Que mais me tenta aquel`que...

GLOSANDO CIDA VASCONCELOS

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SENTIR A LIBERDADE   Ah! Como é bom sentir a Liberdade De evoluir-se, de estar, de sonhar Deixar transformar em realidade O querer, o cantar, o festejar...   É bom ser feliz e sentir-se bem É bom fazer um passeio qualquer É muito bom estar junto de alguém E ceder a tentação do querer   Sem preocupar-se com a tal censura Sem angústia ou medo, sem violência Sem o sofrimento da ditadura   Ser livre, sem ter d´alguém, anuência Ser livre para uma simples loucura Ter a nossa total independência     Cida Vasconcellos 21/04/2016 8:47     POR NÓS E PELA RAZÃO QUE NOS MOVE     "Ah! Como é bom sentir a Liberdade", Quando nos foge e nós não desistimos De correr atrás dela, se se evade, E de alcançá-la, assim que nos cumprimos!   "É bom ser-se feliz, sentir-se bem", Tendo o suficiente pr`a escrever E pr`a gravar na pel` que nos contém, Os versos de um soneto por nascer,   "Sem preocupar-se com a tal censura", Quando a razão se ganha em transparência Justificando os p`r...

GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XIV

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      PEDRAS NO MEU CAMINHO Na estrada onde caminho, no meu trilho Há pedras que se soltam na passagem Contudo não me servem de espartilho E prossigo serena na viagem Delas faço um castelo, sem caixilho, Sem portas, sem janelas, sem ferragem Para que nada seja um empecilho  Aos ventos que me trazem nova aragem E das pedras que sobram orno leiras  Onde extasio o olhar de tais canseiras Que ficam das pedras afastar Pra que não se duvide deixo aviso Neste castelo que é meu paraíso  Somente eu poderei pra lá entrar Maria da Encarnação Alexandre  18/10/2016 UM SONETO, PEDRA A PEDRA "Na estrada onde caminho, no meu trilho" Tão solitário, inóspito e selvagem, Há mil pedras que esculpo e que partilho, Moldando cada pedra à vossa imagem... "Delas faço um castelo, sem caixilho," Mas deixo sempre aberta uma passagem Pr´a que possa acender-se algum rastilho Que faça vislumbrar nova mensagem "E das pedras que sobram, orno leiras", Procuro, em vez de estradas, as pedrei...

GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XXXII

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VOU ESCREVINHANDO FRASES E VERSOS   Neste livre pensar que existe em mim E que de mim se apossa, livre penso o que em sonhos me faz querer assim Sem contudo perder o meu bom senso   Galopam meus pensares plo jardim Onde ardem os perfumes desse incenso Que acalma esta inquietude sem ter fim Serenando-me em paz onde pertenço   Não me sinto porém assim completa E faço apelo à voz que me aquieta Pra que dê nexo e lógica ao que sinto   Vou escrevinhando então frases e versos Que aqui me vão nascendo nestes berços E que vou abraçando por instinto     MEA 7/12/2016   CAVALOS GALOPANDO À BEIRA DE UM MAR DE SILÊNCIOS   "Neste livre pensar que existe em mim", Que mesmo sendo livre, é responsável, Fico a aguardar o verso que põe fim À estagnação da prosa (in)violável;   "Galopam meus pensares plo jardim" E, dessa cavalgada, irrompe, instável, Liberto já de rédeas e selim, O que não parará, porque imparável.     "Não me sinto porém assim completa"; Quero que o meu poe...

GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XXIV

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QUERO UM POEMA DE AMOR   Hoje quero um poema só de amor Que me fale de beijos e carícias  Que me dê seus prazeres sem pudor Que satisfaça em mim suas malícias    Que faça de mim escrava com ardor Que torture inteira de delícias  Que me dê seu agrado protector Sem tortura, castigos nem sevícias    Quero apenas sentir nele a emoção  De quem se dá completo de paixão  Quero sorver venturas e alegria    Hoje quero um poema pra espalhar Toda a felicidade que é amar Conjugada de afecto e harmonia     MEA 24/11/2016 PALAVRA E CONCEITOS "Hoje quero um poema só de amor", Um poema de beijos, de paixões, De projectos a dois, desse furor Repleto de desejo e transgressões, "Que faça de mim escrava com ardor" - de mim, que hoje abomino escravidões... -, Tão dócil quanto ovelha de pastor, Tão frágil que sucumba às tentações... "Quero apenas sentir nele emoção", Esquecer a mais premente compulsão Da palavra poética abrangente; "Hoje quero um poema pra espalhar" U...

GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XXVII

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FOLHAS CAÍDAS Tombam plo chão,vermelhas, amarelas Acastanhadas, tristes já sem vida E na praça em bailados de donzelas Despedem-se na hora da partida E caindo das árvores tão belas Que se enlaçam de abraços na avenida Serenas, se parecem com as estrelas Duma beleza leve na descida Em cada recanto há atapetados Que crepitam em gritos fracturados Por cada novo passo viajante Elevam-se porém a cada aragem Que nasce no momento da passagem Mas, já sem forças caem no instante MEA 29/9/2016 OS FORA DE PRAZO "Tombam plo chão, vermelhas, amarelas", Quantas folhas cumpriram seu dever De verdes produtoras, mas singelas, Certas de que mais verde irá nascer "E caindo das árvores tão belas" É no chão que se espraiam, sem saber Que estão compondo telas e mais telas Dos mil padrões que entendam conceber... "Em cada recanto há atapetados" Que parecem nascer pr`a ser pisados; Pilhas de folhas velhas e caídas... "Elevam-se porém a cada aragem" Pr`a dar-nos um vislu...

GLOSANDO FERNANDO PESSOA III

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    QUALQUER COISA DE OBSCURO PERMANECE Qualquer coisa de obscuro permanece No centro do meu ser. Se me conheço, É até onde, por fim mal, tropeço No que de mim em mim de si se esquece. Aranha absurda que uma teia tece Feita de solidão e de começo Fruste, meu ser anónimo confesso Próprio e em mim mesmo a externa treva desce. Mas, vinda dos vestígios da distância Ninguém trouxe ao meu pálio por ter gente Sob ele, um rasgo de saudade ou ânsia. Remiu-se o pecador impenitente À sombra e cisma. Teve a eterna infância, Em que comigo forma um mesmo ente.     Fernando Pessoa (In, pensador.uol.com.bras) CONTRASTE (Chiaroscuro) "Qualquer coisa de obscuro permanece" Na sombra de uma luz, quando se acende O brilho da luzerna que pretende Iluminar alguém que a não conhece; "Aranha absurda que uma teia tece", Que fia cada fio que em manto estende, Porquanto desse manto ela depende E tão só pelo manto permanece, "Mas, vinda dos vestígios da distância", Como um resto de c...