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NOUTRAS "GRUTAS", MUNDO AFORA...

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  NOUTRAS “GRUTAS”, MUNDO AFORA... *   Nem todos os medos moram numa gruta... Companheiro escuta; por quantos degredos, Sem tecto ou brinquedos, sem sopa nem fruta E tratado à bruta, não passa o que em credos * Esconde os seus segredos no seio da luta? E esse que labuta e que fere os dedos Nos rijos penedos duma terra enxuta, Sem colher folguedos, como se em recruta *   Sem alternativa, vivesse hora a hora Para quem o explora, sem cuidar que viva? Esse, o que se priva, esse, o que se ignora * O que nada implora e na dor que o criva Espelha a mãe nativa que o beija e que adora, Pondo nesse “agora” vida e perspectiva... *     Maria João Brito de Sousa – 08.07.2018 – 15.09h       (Soneto hendecassilábico com rima encadeada/intercalada)  

...MEU TEJO, MEU TEJO...

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  ...MEU TEJO, MEU TEJO... * Por tudo te beijo, por nada te abraço, Te sorvo em melaço, te solto em solfejo Louco de desejo, tonto de embaraço Por quanto te abraço quando te não vejo. * Se acaso gracejo, com graça te enlaço; Com desembaraço te aponto e cortejo E nem te protejo de um mal que não faço, Meu Tejo já baço, meu Tejo, meu Tejo... * Na terra moirejo, nela me desfaço De um corpo já lasso que, mal ou bem, rejo, Mas fosses tu, Tejo, e teu cada traço * Da ruga ou do escasso mas longo bocejo Que evoco ou que invejo ao teu próprio cansaço... Pedaço a pedaço me (a)fundo em ti, Tejo! * Maria João Brito de Sousa – 06.07.2018 – 16.33h  

TAÇAS FRUTADAS, CHAVES ENCANTADAS E MEADAS DE PONTAS SOLTAS

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TAÇAS FRUTADAS, CHAVES ENCANTADAS E MEADAS DE PONTAS SOLTAS * Na taça frutada que aqui me serviste, Deixaste, e nem viste, a chave encantada Da porta selada que em versos abriste... Ah, quem lhe resiste? Nem eu que pasmada * Lhe pego enlevada por saber que existe E apenas consiste num fio de meada Já desenrolada, sem fim que se aviste... Puxei-o. Resiste por tudo e por nada, * Mas, mais concentrada, retorno. Fugiste? Não, não te sumiste, nem eu estou cansada De puxar meada que nunca desiste... * Não ficarei triste, que assim fui fadada; De chave encontrada, o direito me assiste De provar que existe porta adequada. *   Maria João Brito de Sousa – 06.07.2018 – 12.38h   Escrito na sequência do soneto PRIMAVERA EM VERSOS FRUTADOS, de MEA (Maria da Encarnação Alexandre)    

EM CONTRA-MÃO

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  EM CONTRA-MÃO   Também amei demais, se é que isso existe... Mas, se isso existe, então amei demais; Amei como quem prova e não resiste, Amei como um mortal ama imortais.   Amei-te na alegria. Amei-te triste. Amei-te sempre em doses desiguais Que fui servindo enquanto as não puniste Com desculpas, nem com condicionais.   Amei-te sempre até que desististe De reparar nuns tantos ideais Que pra ti preparei, mas que nem viste.   Amei-te em silenciosos rituais Duma eloquência que me não pediste, Flagrante, em contra-mão, cega aos sinais.       Maria João Brito de Sousa – 04.07.2018-14.33h     Na sequência da leitura do soneto “Amei Demais”, de Joaquim Pessoa.    

DOIS SONETOS AO SOM DE UM ALAÚDE

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  DOIS SONETOS AO SOM DE UM ALAÚDE I Creio em mim porque como e durmo e escrevo E creio, muito mais do que o que posso, Que quais águas que brotam de algum poço Também de mim sei rir, se a tal me atrevo... Creio em mim por dever-vos quanto devo E também por, traçando um mero esboço, Poder tentar pagar-vos cada almoço Com versos, quando em versos me transcrevo. Creio na dor, na fome e na alegria E, às vezes, exp`rimento a nostalgia Dos gestos fúteis duns pequenos nadas, Mas nunca creio em musa que, vazia, Tente vir conceder-me a anestesia Prá dor das minhas horas mais magoadas. II Creio em mim na doença e na saúde Como abelha que engendra o próprio mel; Julgo-me doce e creio em mim no fel Dos meus defeitos, se faltar virtude. Creio em mim quando a pauta não me ilude E há música em meus versos de papel Que soam e se lançam num tropel Como vibrantes notas de alaúde. Creio nas coisas das quais sou descrente; Choro e gargalho como toda a gente E sou de antes quebrar que de torcer. De todos,...

PRESSÕES, (DE)PRESSÕES E (RE)PRESSÕES

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  PRESSÕES, (RE)PRESSÕES E (DE)PRESSÕES Não quero, nem costumo deprimir-me Por tudo e nada ou por qualquer coisinha; Mais sou de ripostar, ou mesmo rir-me Dos mil desaires desta vida minha, Mas nunca irei fugir nem demitir-me Da grande depressão que se avizinha E sei que devo erguer-me honesta e firme Contra quanta injustiça se adivinha... Já que pra pouco sirvo, é melhor ir-me Redesenhando em vôos de andorinha E tentar avisar quem queira ouvir-me: - Anda uma nuvem escura a consumir-me E não é coisa suave e comezinha Que não possa ao silêncio reduzir-me! Maria João Brito de Sousa – 28.06.2018 – 13.08h  

MIGRANTES

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  MIGRANTES Fazem-se ao mar em barcos de brinquedo, No mar deixam o sonho, a esp`rança, a vida; É o mar quem acolhe e dá guarida Ao seu silêncio e à dor do seu segredo. Que Adamastor os não aponta a dedo? Que tempestade aguarda essa partida E que morte os não espera, bem escondida Na lâmina aguçada de um rochedo? Fazem-se ao mar de um sonho que os olvida E, se chegam à praia prometida, Quem os vem receber é sempre o medo; Onde encontrar a paz que foi perdida, Onde encontrar a esp`rança destruída, Onde ancorar, depois de um tal degredo?     Maria João Brito de Sousa – 01.07.2018 – 11.35h