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CAMINHO ACIDENTADO

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CAMINHO ACIDENTADO * O sol bebi em tragos. E vivi! Corri da Primavera ao V`rão da vida; Explorando o dia, à noite me perdi, E deste Outono não sei se há saída. * Aguardo o duro Inverno. Por aqui Resistirei, sem data de partida; Das primaveras nunca me esqueci E aos invernos venci, mesmo transida. * Quatro vezes, me dizem, já morri, Mas só duas recordo. Se inquirida, Direi que não fui eu que assim escolhi, * Que aconteceu ser eu que fui escolhida; Só sei o que é partir, porque parti, Se bem que ingloriamente renascida. * Maria João Brito de Sousa - 11.11.2020 - 14.16h

"O BARCO LARGOU O CAIS"

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RESISTIR PENSANDO

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RESISTIR PENSANDO * Como uma estátua, vôo estando presa A um corpo, imprestável no meu caso, Que assim que descobre ondas em mar raso Tão mais se eleva quanto mais me pesa. * Na condição de pedra em pedra acesa, Quanto mais acelero mais me atraso Neste infindo adentrar do longo ocaso Que comigo se senta e come à mesa. * Até que chegue a morte, a vida ganha Sempre que o pensamento a desafia E embora pareça coisa estranha * Ao corpo que envelhece e se desfia, É mesmo assim que a sorte se desenha; Quem mais pensa é também quem mais porfia. *   Maria João Brito de Sousa - 08.11.2020 - 15.35h *   Soneto criado para uma rubrica do site Horizontes da Poesia  

COISAS VISCERAIS

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COISAS VISCERAIS * "Ench(e) o ar de caminhos e de espaços" De tempos e das notas musicais Que determinam ritmos e compassos Dos sons que crias, quando os tons não trais. * Sejam muito abundantes, sejam escassos Bocadinhos de espantos viscerais, Tocam-te inteiro, tornam-se devassos, Impõem-te pulsões, pedem-te mais, * Mais versos, mais poemas, mais abraços, Mais graves, sobre agudos pontuais Que não sei traduzir senão nos traços * Que aqui deixo ficar. São rituais De exorcizar limites e cansaços? Sem saber responder, escrevi demais. *   Maria João Brito de Sousa - 07.08.2020 - 15.30h *   NOTA - Soneto criado a partir do último verso do soneto "Caminhos e  Espaços" de Maria José Monteiro Reis.   Noite Estrelada - Vincent Van Gogh  

SANTO & SENHA

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SANTO & SENHA * Por que me deste a flor desfeita em pranto? Ontem à tarde, ainda o Sol sorria, Já eu tecia para ti um manto De pérolas, de espanto e de ousadia. *   Esperei que a Lua revelasse o "santo" Porquanto a "senha" já eu conhecia, Mas a ela, bem escondida nalgum canto, Nem viu o manto que eu lhe oferecia. *   Do que a tímida Lua me ocultou, Nada conheço. Só sei ser quem sou, Jamais fui ou serei inquisidor. *   Em vão esperei. A senha caducou E tudo quanto a noite me ofertou Foi um "bouquet" de pranto aberto em flor. *   Maria João Brito de Sousa - 06.11.2020 - 18.25h

PELO VERSO!!! - Coroa de Sonetos -

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PELO VERSO!!! * Coroa de Sonetos * Maria João Brito de Sousa e Laurinda Rodrigues * 1 * Na arena entrei. Trago o soneto à liça Sem um escudo, uma espada ou um tridente; Espero um confronto, nunca uma carniça Que fira, espanque, rasgue ou mesmo esventre. * Pelo verso me bato e se me atiça Esta lira que aos céus elevo ardente, Mas venho despojada da cobiça Que derruba e despreza e segue em frente. * Pelo verso!, repito já teimando, Enquanto a acesa lira levantando Num gesto heróico de trazer por casa. * Reparo então no verso que, voando, Nem deu por este arroubo. Agreste ou brando, Converte o gesto heróico em tábua rasa. * Maria João Brito de Sousa - 02.11.2020 - 12.17h * 2. "Converte o gesto heroico em tábua rasa" mas, sendo rasa, a mão repete o gesto: numa cadência estoica, o gesto traça quer seja aceitação ou só protesto. * A forma do soneto é a raiz da cultura ancestral recuperada. Somos nós uns veleiros do País a navegar de novo pela estrada. * Quem quiser entender venha a...

CAÍA O SOL - Coroa de Sonetos

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CAÍA O SOL * Coroa de Sonetos * Custódio Montes e Maria João Brito de Sousa * 1 * Caía o sol com brilho cintilante Batia no amarelo da folhagem Contemplava ao segundo essa imagem Com prazer e sorriso abundante * Avançava contente e radiante Na estrada depois duma paragem Mas aquela beleza de amostragem Trouxe-me a poesia nesse instante * No outono cai folha zune o vento Mas as cores ondeiam variadas E a beleza a crescer é um portento * O sol a iluminar como baladas Em canto harmonioso num evento Com lúdicas canções ao céu lançadas * Custódio Montes (3.11.2020) * 2 * "Com lúdicas canções ao céu lançadas" Por coloridas notas singulares Nascidas da magia dos teares Por invisíveis mãos sendo orquestradas, * Exprime-se o vento em sopros e rajadas E as folhas tomam tons peculiares Enquanto são levadas pelos ares Porquanto pelo sol sendo beijadas. * Caía o sol, nascia um novo verso Do irreal esplendor desse momento Que se cristalizou, estando disperso; * Nesta contemplação, parou o ...